{"id":3534,"date":"2021-10-18T00:44:48","date_gmt":"2021-10-18T00:44:48","guid":{"rendered":"https:\/\/brava.etc.br\/loja\/?post_type=product&#038;p=3534"},"modified":"2024-03-22T20:27:55","modified_gmt":"2024-03-22T20:27:55","slug":"negro-humor-album-digital-poster","status":"publish","type":"product","link":"https:\/\/brava.etc.br\/loja\/produto\/negro-humor-album-digital-poster\/","title":{"rendered":"&#8216;Negro Humor&#8217; \u00e1lbum digital + poster"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\">Poster feito por Priscila T\u00e2mara e Rodrigo Sommer, baseado na capa que criaram para o &#8216;<strong><em>Negro Humor<\/em><\/strong>&#8216;, do <strong>Radio Diaspora<\/strong>.<\/p>\n<p>S\u00e3o apenas 20 c\u00f3pias do cartaz cuidadosamente desenvolvido de forma artesanal especialmente para acompanhar o lan\u00e7amento deste \u00e1lbum.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7a &#8216;<strong><em>Negro Humor<\/em><\/strong>&#8216;, o d\u00e9cimo lan\u00e7amento do duo de free jazz experimental composto por Wagner Ramos (bateria, eletr\u00f4nicos) e Romulo Alexis (sopros e eletr\u00f4nicos), que investiga a dicotomia do humor para novamente fazer reverberar por meio da m\u00fasica sua luta contra a viol\u00eancia f\u00edsica e simb\u00f3lica sofrida pela popula\u00e7\u00e3o negra: <a href=\"https:\/\/brava.etc.br\/radio-diaspora-negro-humor-digital-2021\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/brava.etc.br\/radio-diaspora-negro-humor-digital-2021<\/a><\/p>\n<p>&#8211;<\/p>\n<p>Sobre processo de desenvolvimento do poster:<\/p>\n<p class=\"western\">Quando o R\u00f4mulo Alexis nos fez o convite para fazermos a capa do disco da R\u00e1dio Di\u00e1spora e disse que o nome seria Negro Humor, antes mesmo dele explicar essa escolha, me veio a lembran\u00e7a do sorriso dos povos do continente africano e, em seguida, uma frase que minha m\u00e3e disse (sem romantizar) em uma conversa que tivemos h\u00e1 alguns anos: \u201c\u00c9 impressionante como os negros est\u00e3o sempre sorrindo, mesmo sentindo dor.\u201d Na explica\u00e7\u00e3o do R\u00f4mulo, era o contr\u00e1rio disso.<\/p>\n<p class=\"western\">Durante a semana, antes de ouvir o disco, comecei a pesquisar sobre a origem da palavra \u201chumor negro\u201d e me deparei com a hist\u00f3ria daquele desenho famoso, \u201cJim Crow\u201d. O personagem era uma compara\u00e7\u00e3o pejorativa do corpo negro com o corvo. Dizem que \u00e9 bem prov\u00e1vel que o nome tenha vindo da m\u00fasica \u201cJump Jim Crow\u201d interpretada pelo ator Thomas D. Rice, em 1832, com a face pintada de preto (<i>blackface<\/i>). Eu at\u00e9 conhecia essa hist\u00f3ria, mas n\u00e3o sabia que virou uma lei, e que esta impunha a segrega\u00e7\u00e3o racial no sul dos Estados Unidos no per\u00edodo entre 1877 e 1964. Nessa pesquisa lembrei de uma hist\u00f3ria que uma pessoa me contou, sobre a import\u00e2ncia do corvo na espiritualidade, e que ela disse que at\u00e9 viajou para outro pa\u00eds para tentar pegar uma pena de corvo, mas n\u00e3o conseguiu. Encontrei v\u00e1rias simbologias bonitas do corvo em outros pa\u00edses, bem diferentes dessa dos EUA.<\/p>\n<p class=\"western\">Mudei o foco da pesquisa ap\u00f3s ouvir o disco e me sentir incomodada com a repeti\u00e7\u00e3o das palavras de umas das faixas, pensando no sentido de ter as palavras reprimidas, porque o racismo nos silencia o tempo todo. Eu at\u00e9 comentei com o R\u00f4mulo que na maioria das vezes em que sofremos o racismo, a voz n\u00e3o sai, e em resposta a isso, ele falou: \u201co som (do disco) \u00e9 para exorcizar o racismo da nossa mente e deixar a gente pronto pra agir\u201d. Fiquei com essa fala martelando na minha cabe\u00e7a por alguns dias e senti que uma das refer\u00eancias seriam essas palavras.<\/p>\n<p class=\"western\">Peguei todo o acervo de meus estudos dos s\u00edmbolos dos tecidos do continente africano, coloquei em cima da mesa, e sentamos, o Sommer e eu, para ouvir o disco. Ouvimos em sil\u00eancio e ao final do som, come\u00e7amos a conversar e a escrever e esbo\u00e7ar as ideias no papel. Nesse momento, n\u00e3o estava me sentindo \u00e0 vontade de desenhar ali, na companhia dele, n\u00e3o por sua presen\u00e7a, mas porque senti um bloqueio, do tipo \u201cestou criando uma arte com uma pessoa que trabalha com design h\u00e1 mais de 20 anos, ser\u00e1 que vou conseguir?\u201d<\/p>\n<p class=\"western\">No dia seguinte nos reunimos novamente, colocamos o disco para ouvir de novo e voltamos a desenhar e a trocar ideias. Pra mim, o disco passa muito a ideia de oralidade, como nos cultos das religi\u00f5es de matriz africana, em que, a meu ver, as palavras t\u00eam mais \u201cimport\u00e2ncia\u201d, de certa forma, do que a escrita. Essa foi uma das coisas que tamb\u00e9m me chamou a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"western\">Como o Sommer havia trabalhado a semana inteira at\u00e9 tarde para dar conta das entregas de trabalhos e poder dar a aten\u00e7\u00e3o que a capa merecia, ele resolveu ir deitar um pouco para descansar e me deixou desenhando. Me concentrei por alguns minutos e me lembrei da primeira imagem que me veio \u00e0 cabe\u00e7a logo que ouvi o nome do disco, lembrei da conversa que tive com o R\u00f4mulo e das refer\u00eancias que estavam sobre a mesa. Nesse momento o som do Tim Maia que estava tocando do outro lado da rua no \u00faltimo volume foi diminuindo at\u00e9 ficar tudo em sil\u00eancio, e eu senti uma paz absoluta. A sensa\u00e7\u00e3o era como se eu tivesse entrado em contato com a minha ancestralidade, com algo al\u00e9m da minha presen\u00e7a ali, porque aquele desconforto de fazer uma arte com uma pessoa experiente ao meu lado havia sumido. Comecei ent\u00e3o a desenhar e pintar com l\u00e1pis de cor, algo que sempre tive dificuldade, desde a inf\u00e2ncia. Sommer chegou no est\u00fadio na hora em que eu havia terminado um desenho. Expliquei para ele cada elemento, e ent\u00e3o entendemos que a capa precisava mesmo de uma roupa, de estar vestida para \u2013 repetindo a frase do R\u00f4mulo \u2013 exorcizar o racismo e deixar a gente pronto pra agir, da mesma forma que, em alguns pa\u00edses do continente africano, os tecidos eram vestidos em cerim\u00f4nias importantes.<\/p>\n<p class=\"western\">Seguindo esse pensamento, a capa teve como inspira\u00e7\u00e3o as cores do azul \u00edndigo e do tecido natural do Adire Eleko, feito pelos povos Iorub\u00e1 na Nig\u00e9ria, e tamb\u00e9m a releitura dos s\u00edmbolos do Bogol\u00e0n, feito em Mali. Os s\u00edmbolos do Adire s\u00e3o pintados com goma de mandioca no tecido de algod\u00e3o, que depois \u00e9 tingido com a planta \u00edndigo. J\u00e1 os s\u00edmbolos do Bogol\u00e0n s\u00e3o pintados no tecido de algod\u00e3o com pigmentos extra\u00eddos das plantas e com \u00f3xido de ferro da terra, que a medida em que permanece guardada por dias, meses ou anos, oxida e vai criando varia\u00e7\u00f5es de tons, do mais claro para o mais escuro. Em ambos os tecidos, os povos africanos narram suas hist\u00f3rias de vida por meio de s\u00edmbolos, assim como Negro Humor recebeu um s\u00edmbolo representando cada faixa, criando uma narrativa que atravessa o disco.<\/p>\n<p class=\"western\">O s\u00edmbolo localizado na parte superior esquerda, repetido em 4 diferentes posi\u00e7\u00f5es, corresponde \u00e0 faixa 4 (Negro Humor): s\u00e3o conjuntos de semic\u00edrculos que simbolizam um palha\u00e7o triste (o ator Grande Otelo). Na parte inferior esquerda est\u00e1 o s\u00edmbolo do lagarto, que representa for\u00e7a na cultura Iorub\u00e1 e que incorpora o l\u00edder negro norteamericano Malcom X, nas faixas 5 (A.H.M. AL-SHABAZ.1) e 6 (A.H.M. AL-SHABAZ.2). Abaixo do lagarto h\u00e1 uma releitura de dois s\u00edmbolos Yoruba \u2013 os dois tri\u00e2ngulos que representam vasos, que significam vida, e o c\u00edrculo preenchido entre eles, s\u00edmbolo do ponto de for\u00e7a \u2013 que representa as faixas 2 (Mohamad Ali 1) e 3 (Mohamad Ali 2). \u00c0 direita deles, a faixa 1 (Despacho) \u00e9 representada por uma dupla de s\u00edmbolos que se repetem verticalmente: o \u201cY\u201d \u00e9 a pata da galinha \u2013 o caminhar \u2013 e o tri\u00e2ngulo espelhado, o tambor \u2013 a batida ritimada. Esses dois s\u00edmbolos correspondem ao protesto do advogado H\u00e9lio Silva Junior, que no julgamento sobre a legalidade do sacrif\u00edcio de animais em rituais e cultos das religi\u00f5es de matriz africana, declara: \u201cA vida de uma galinha da macumba vale mais do que a de jovens negros\u201d. A faixa 7 (Meia-noite) \u00e9 representada pelas fases da Lua, uma sequ\u00eancia de c\u00edrculos e semic\u00edrculos preenchidos, e pelo galo, representado por um tri\u00e2ngulo e um semic\u00edrculo na vertical.<\/p>\n<p class=\"western\">O t\u00edtulo NEGRO HUMOR \u00e9 aplicado sobre a arte, de forma repetida, cobrindo parte tanto dos s\u00edmbolos quanto do tecido e criando, de maneira an\u00e1loga ao trabalho do duo no disco, uma s\u00e9rie de ru\u00eddos e sobreposi\u00e7\u00f5es que acabam construindo um ritmo visual, n\u00e3o linear como o as composi\u00e7\u00f5es do disco \u2013 nas quais a parte instrumental e os recortes vocais, em repeti\u00e7\u00e3o constante, ficam em uma disputa din\u00e2mica em que ora um, ora a outra, ganham o protagonismo. Sommer criou a tipografia a partir do vazio deixado pelo desenho das letras, tentando de alguma maneira suprimir os s\u00edmbolos da linguagem escrita, historicamente utilizada pelo branco europeu como argumento para a desvaloriza\u00e7\u00e3o da cultura dos povos do continente africano e seus descendentes, caracterizada pela oralidade, e simbolicamente ocupar esses vazios com um outro discurso.<\/p>\n<p class=\"western\">Priscila T\u00e2mara<br \/>\n31\/03\/2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cartaz no formato 42x59cm, com impress\u00e3o manual em 2 cores pelo processo de stencil com tinta serigr\u00e1fica, sobre papel Color Plus Azul Toronto 180g<br \/>\n+<br \/>\nc\u00f3digo para baixar o \u00e1lbum &#8216;<span style=\"text-decoration: underline;\"><a href=\"https:\/\/brava.bandcamp.com\/album\/negro-humor\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Negro Humor<\/em><\/strong><\/a><\/span>&#8216;, do <strong>Radio Diaspora<\/strong><\/p>\n","protected":false},"featured_media":9090,"template":"","meta":[],"product_brand":[],"product_cat":[524,592,834],"product_tag":[],"class_list":{"0":"post-3534","1":"product","2":"type-product","3":"status-publish","4":"has-post-thumbnail","6":"product_cat-brava-edicoes","7":"product_cat-impresso","8":"product_cat-outrosprints","10":"first","11":"outofstock","12":"shipping-taxable","13":"purchasable","14":"product-type-simple"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/brava.etc.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/product\/3534","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/brava.etc.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/product"}],"about":[{"href":"https:\/\/brava.etc.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/types\/product"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/brava.etc.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9090"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/brava.etc.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3534"}],"wp:term":[{"taxonomy":"product_brand","embeddable":true,"href":"https:\/\/brava.etc.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/product_brand?post=3534"},{"taxonomy":"product_cat","embeddable":true,"href":"https:\/\/brava.etc.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/product_cat?post=3534"},{"taxonomy":"product_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/brava.etc.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/product_tag?post=3534"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}