Ajítẹnà Marco Scarassatti apresenta ‘Habitar as coisas’, com Luiz Pretti nas projeções

Ajítẹnà Marco Scarassatti *01 e 02 de Junho Espaço Cênico do SESC Pompéia

Show de lançamento de ‘Habitar as coisas’, último álbum de Ajítẹnà Marco Scarassatti, em uma performance audiovisual em que apresenta cada uma das peças do álbum estendidas na improvisação, buscando se tornar parte delas à medida em que as constrói, em tempo real, acompanhado nas projeções pelo cineasta Luiz Pretti, que trabalha com a captação ao vivo de imagens em uma prática de improviso onde a câmera é um instrumento a ser tocado tal qual a Èléiyẹ. A imagem se torna música, a música se torna imagem. 

Ajítẹnà Marco Scarassatti – Èléiyẹ (Pássaro cocho – instrumento de criação e fabricação própria), viola de cocho, voz
Luiz Pretti – captação de imagens e projeções ao vivo

◌ 01 de Junho, sábado | 20h30
◌ 02 de Junho, domingo | 17h30

SESC Pompéia / Espaço Cênico – R. Clélia 93, Pompéia /SP
R$ 12 / 20 / 40

⇢ ingressos à venda em todas as unidades SESC SP, de terça a sexta, das 9h às 21h | sábado, das 9h às 19h30 | domingo, das 9h às 17h45 | e online a partir do dia 21.05

⇢ localizar no mapa

⇢ informações no SESC SP

◌ técnico de som: Bernardo Pacheco
◌ design de luz: Cris Souto


Ajítẹnà Marco Scarassatti

perfil na Brava

Artista sonoro, improvisador e compositor, desenvolve pesquisa e construção de instrumentos, esculturas e instalações sonoras, além de gravações de campo. Nascido em Campinas, atualmente reside em Belo Horizonte, onde é professor e pesquisador na Faculdade de Educação da UFMG.

Com mestrado em Multimeios e doutorado em Educação, publicou artigos nas áreas de composição, trilha sonora, Educação Musical e Curadoria de Música Contemporânea. Foi idealizador e curador da exposição Paisagens Sonoras Plásticas (2005); do Primeiro Encontro de Música Improvisada em Campinas (Unicamp, 2007), e criador do Encontro de Costas, que reuniu músicos experimentais portugueses e brasileiros. É autor do livro ‘Walter Smetak, o alquimista dos sons’ (Editora Perspectiva/SESC, 2008).

Participou e/ou compôs diversas peças musicais apresentadas em festivais mundo afora, como: ISIM Conferência (EUA, 2007), 3ª Bienal PATAGONICA (2007), Encontro de Arte Sonoro Tsonami (Chile, 2007), Buenos Aires 2009 e 2011, Festival Zeppelin (Espanha, 2008), Encontro de Música Improvisada de Atouguia da Baleia, MIA (Portugal 2013 e 2014). Em 2021 foi um dos artistas comissionados pelo Festival CULTUREESCAPES 2021 Amazonia, para criar a instalação MataBio, no Museu Tinguely, em Basel (Suiça). No mesmo festival dirigiu e compôs a música para o espetáculo Noite dos Xamãs ao lado de Ibã Huni Kuin e Livio Tragtenberg.

Entre alguns de seus inúmeros lançamentos estão Sonax (Creative Sources Recordings, 2008), Novelo Elétrico (Creative Sources Recordings, 2014), Rios Enclausurados (Seminal Records, 2015), RUMOR, projeto coletivo com Gloria Damijan, Eduardo Chagas e Abdul Moimême (Creative Sources, 2015), A lenda da pianista enterrada viva, com Nelson Pinton (Brava Edições, 2022) e Habitar as coisas (Brava Edições, 2023) – onde passou a assinar com seu nome de Ifá: Ajítẹnà.

Luiz Pretti

Anestesia

Vira a Volta que faz Nó

Diretor e montador, sócio da produtora mineira Errante. Integrou o coletivo Alumbramento, onde dirigiram filmes como ‘Estrada para Ythaca’, ‘Os Monstros’ e ‘Com os Punhos Cerrados’, todos lançados em salas de cinema brasileiras. No momento está finalizando dois longas-metragens para 2024 e envolvido em projetos interdisciplinares, principalmente trabalhos ligados à relação entre cinema e música. Seus filmes foram exibidos em Festivais como Veneza, Locarno, Rotterdam, Festival de Brasília, Mostra de Tiradentes, Festival do Rio, Visions du Réel, Viennale, Oberhausen, Roma, Mostra Internacional de São Paulo, entre outros.

Como montador trabalhou nos longa-metragens ‘Canção ao Longe’, de Clarissa Campolina, ‘Rejeito’, de Pedro de Filippis, ‘As linhas da mão’, de João Dumans,’Arábia’, de Affonso Uchoa e João Dumans (vencedor do prêmio de Melhor Montagem no Festival de Brasília), ‘Baixo Centro’, de Ewerton Belico e Samuel Marotta, ‘O Clube dos Canibais’, de Guto Parente, ‘A Vizinhança do Tigre’, de Affonso Uchoa, ‘Sábado à noite’ e ‘Medo do Escuro’, de Ivo Lopes Araújo; ‘Teobaldo Morto, Romeu Exilado’ e’As horas Vulgares’, ambos de Rodrigo de Oliveira; ‘O Rio Nos Pertence’, de Ricardo Pretti, ‘O Uivo da Gaita’, de Bruno Safadi, ‘Os Ventos de Valls’, de Pablo Lobato, para citar alguns.

Como músico participa ativamente da cena de improvisação de Belo Horizonte, tendo participado de eventos como Quartas de improviso, Boteco Ruído e Praça 6. Como pianista lançou o disco’L. E. I. S. #2’ ao lado do saxofonista Francisco César, com quem também lançou o filme/disco ‘LAVA’. Em parceria com Marco Scarassatti realizou diversos filmes, entre os quais ‘Anestesia’, ‘Ògún Lákáayé’ e ‘Vira a volta que faz nó’, estes juntos de Ricardo Aleixo e Ewerton Belico. Paralelamente é caixeiro tocando em blocos como o Couro Encantado, Pata de Leão e Patengome Maracarte.


2023, Brava Edição 46

Habitar as
coisas 

é o primeiro trabalho que assino com o meu nome no Ifá, Ajítẹnà. Um trabalho entre a improvisação e a composição. Como se eu pudesse habitar ambas, me tornando parte delas, na medida em que elas fossem se constituindo como tais. Assim como uma aranha habita sua teia na medida em que a faz.

Ao mesmo tempo, uma brincadeira poética com algumas das coisas que me fizeram algum sentido no momento de minha iniciação. Uma improvisação pode habitar a chuva, o sopro, a navalha, a cabaça?

Esse álbum nasceu de uma gravação que fiz durante uma estadia em Basel, na Suíça, em 2021, utilizando a Èléiyẹ, ou Pássaro cocho, um instrumento que inventei a partir da viola de cocho, e a voz. Fiquei alguns meses escutando todo o material, sem pressa, sem mesmo saber o que faria com ele, apenas experimentava compor com partes e gestos improvisacionais que se atraíam por similaridade, ou me davam um sentido de unidade. A essa gravação juntei uma outra que fiz em casa, uma improvisação vocal com uma onomatopéia presente num Ẹsẹ Ifá, do Odù Ìdin Iká. Nesse verso, a cabaça deseja atravessar o grande mar para chegar no Ayé e, mais do que a travessia, é a chegada que lhe reserva um grande aprendizado. Kákákiriká!

Ajítẹnà